Ex-São Domingos, hoje no Estanciano, Junior já atuouno Neópolis na A2
Quem vai aos estádios para assistir uma partida da segunda divisão do
Campeonato Sergipano se sente como se estivesse na elite. Dos que
disputaram o Sergipão este ano, 48 jogadores estão na divisão de acesso.
Com doze equipes, apenas o Aracaju aposta em atletas sem experiência. O
Aquidabã e Canindé têm nomes diferentes, mas que disputaram a
primeirona em outros Estados.
O calendário que não preenche os 12 meses do ano é a principal
justificativa dada por jogadores e dirigentes para o 'ciclo vicioso'. Se
não bastasse a falta de competições para os times da elite, as datas
ajudam o vínculo de atletas entre a primeira e a segunda divisão. No
primeiro semestre é realizada o Estadual; no segundo a série A2; e no
meio a Copa Governador do Estado.
- É sempre assim: o jogador é de um clube da primeira divisão. Acaba o
principal torneio e ele fica sem trabalhar. Para não ficar parado, acaba
indo para equipes da segunda divisão. Ele joga, se destaca e até ajuda a
equipe a subir, mas depois volta para o seu time de origem. E sempre
temos a primeira com cara de segunda e vice e versa - explica Geraldo
Carmo, presidente do Laranjeiras, que hoje disputa a divisão de acesso e
conta com 11 atletas que disputaram a elite.
Este ciclo tende a continuar em Sergipe com o novo calendário do
futebol brasileiro, com a série D iniciando em maio. Este ano, por
exemplo, o lateral Júnior, entre os melhores jogadores do Campeonato
Sergipano com o São Domingos foi contratado pelo Itabaiana para disputar
a quarta divisão, com a fraca campanha no nacional, Júnior foi
emprestado ao Estanciano, líder do grupo A da série A2 local.
clubes da série a2 com jogadores da a1
-
Laranjeiras (11 jogadores)
América (8 jogadores)
Estanciano (7 jogadores)
Cotinguiba (6 jogadores)
Maruinense (5 jogadores)
Boca Júnior (4 jogadores)
Dorense (3 jogadores)
Boquinhense (3 jogadores)
Propriá (1 jogador)
- É melhor jogar a segunda divisão do Campeonato Sergipano do que ficar
parado. Em geral não agrega em nada ao nosso currículo, dificilmente
conseguimos um contrato maior após a segundona, mas ficar parado não
ajuda em nada - justifica Júnior, que já defendeu o Neópolis em 2011.
Mas o fenômeno não é bem visto pela Federação Sergipana de Futebol e
pela maioria dos cronistas esportivos. A FSF limitou a dez a contratação
de jogadores acima dos 23 anos. Para os jornalistas, o campeonato
deveria revelar e formar os novos talentos.
- Os clubes da segunda divisão deveriam revelar novos jogadores, mas
fazem justamente o inverso. Os clubes contratam praticamente os mesmos
atletas da série A-1, já conhecidos do nosso futebol, deixando,
literalmente, a segundona com cara de primeira. Como os clubes não tem
categorias de base e a 2ª divisão não traz novidades, são poucas as
renovações e continuamos nivelados por baixo - lamenta Otacílio Leite,
cronista esportivo da Rádio Liberdade AM de Aracaju.
- Torcer para que o Campeonato Sergipano de 2013 não tenha cara de
segundona 2012, mas infelizmente minha torcida não será concretizada.
São poucos os jogadores que conseguem sair do Estado, os que saem seriam
mais úteis se ficassem nos clubes daqui em competições nacionais -
lamenta Josafá Neto, cronista da Rádio Jornal de Sergipe.
Apesar do lamento, a medida costuma funcionar na segunda divisão. Em
2011 o Sete de Junho conquistou o acesso com o artilheiro Nivaldo, o
lateral-esquerdo Júnior e Mazinho Sergipano. Os dois primeiros do São
Domingos, o último com passagens pelo Sergipe e Confiança. Mas o time de
Tobias Barreto precisou liberar os jogadores e na elite este ano não
conseguiu manter a boa fase e foi novamente rebaixado.
A receita utilizada pelo Sete de Junho foi aplicada dois anos antes, em
2009, pelo River Plate. O time de Carmópolis conquistou a série B com o
treinador Nadélio Rocha, Valdson, Pablo, Rivaldo e Bira, todos campeões
da elite no mesmo ano com o Confiança. Mas ao contrário do Galo do Rio
Real, os petroleiros abriram os cofres, seguraram os reforços e
conquistaram por duas vezes seguidas o Campeonato Sergipano.
Jorginho, defende o Cotinguiba na A2, e jogou no Socorrense na elite deste ano
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